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Mistério por decifrar

A Escrita do Sudoeste

No concelho de Almodôvar encontra-se o rasto da escrita mais antiga da Península Ibérica: a Escrita do Sudoeste, gravada em estelas de pedra entre os séculos VIII e V a.C. e ainda hoje por decifrar. Uma dessas estelas foi encontrada nas Mesas do Castelinho, a dois passos de Santa Clara-a-Nova.

Estela com Escrita do Sudoeste encontrada nas Mesas do Castelinho, exposta no Museu da Escrita do Sudoeste (MESA), Almodôvar

Uma escrita por decifrar

O mais antigo sistema de escrita da Península Ibérica

A Escrita do Sudoeste, também conhecida como escrita tartéssica, é considerada o sistema de escrita mais antigo da Península Ibérica. Data dos séculos VIII a V a.C. e permanece por decifrar até hoje, um dos grandes mistérios da arqueologia europeia.

Os vestígios conhecidos encontram-se sobretudo em estelas de pedra descobertas no sul de Portugal e no sudoeste de Espanha. Acredita-se que sejam estelas funerárias, lápides que assinalavam sepulturas. Mas, enquanto os sinais não forem decifrados, ninguém sabe ao certo o que dizem.

A estela das Mesas do Castelinho

Avistada em 2007, levantada em setembro de 2008

O bloco foi avistado no final da campanha de 2007, na Rua 1 do Sector B3 das Mesas do Castelinho, e só foi levantado em setembro de 2008. Nenhuma publicação dá um dia exato para o achado.

Estava reutilizado, com a face gravada voltada para baixo, num aterro que preparava o piso de circulação de uma rua romana republicana, e não no lajeado da própria rua. A inscrição é cerca de três séculos mais antiga do que a superfície em que assentava, o seu local original é desconhecido e os escavadores consideraram-na de pouco valor para datar o povoado. Num levantamento de 28 estelas de contexto escavado, esta é a única alguma vez encontrada reutilizada num aterro viário.

Mede 112 × 51 × 9 cm e tem 82 signos, 80 dos quais de valor fonético identificável e 21 distintos: é o mais extenso texto conhecido nesta escrita. É um dos achados mais valiosos do sítio arqueológico e liga diretamente Santa Clara-a-Nova a este capítulo misterioso da história da escrita na Península Ibérica.

MESA: Museu da Escrita do Sudoeste

O museu de referência, em Almodôvar

O museu de referência desta escrita fica em Almodôvar, a cerca de 15 km de Santa Clara-a-Nova. Instalado no antigo Cine-Teatro municipal, na Rua do Relógio, o MESA apresenta uma coleção que atravessa 2500 anos da história da escrita neste território. Segundo o museu, ali estão reunidas 16 das cerca de 90 estelas epigrafadas conhecidas na Península Ibérica.

O MESA oferece visitas guiadas, loja e acesso para pessoas com mobilidade reduzida.

MoradaRua do Relógio, 7700-065 Almodôvar
HorárioTodos os dias, 10:00-13:00 e 14:00-18:00 (exceto feriados)
Telefone+351 286 665 357
Emailmesa@cm-almodovar.pt
ServiçosVisitas guiadas, loja, acesso para mobilidade reduzida

A cabeça de terracota

Entre os achados das Mesas do Castelinho está uma pequena cabeça humana de terracota, encontrada em 1995 no Sector A1, em posição secundária num contexto da Idade do Ferro. Tem traços realistas e é possivelmente uma criança; a equipa de escavação trata-a por "Batata". A única arqueóloga a publicar sobre ela lê-a como "um brinquedo, ou mesmo um objecto decorativo" e escreve explicitamente que não lhe parece ser a representação de uma divindade nem um ex-voto. A leitura de "síntese cultural" mediterrânica e céltica, que circula em materiais de divulgação, não tem apoio em publicação arqueológica.

Em resumo

  • ◆Considerada a escrita mais antiga da Península Ibérica (séculos VIII a V a.C.)
  • ◆Permanece por decifrar até hoje
  • ◆As estelas são consideradas funerárias
  • ◆Encontradas no sul de Portugal e no sudoeste de Espanha
  • ◆Nas Mesas do Castelinho, uma estela foi avistada em 2007 e levantada em setembro de 2008, reutilizada de face para baixo num aterro sob uma rua romana
  • ◆Segundo o museu, o MESA reúne 16 das cerca de 90 estelas epigrafadas conhecidas na Península Ibérica

A Lenda do Homem-Lagarto

O outro mistério das Mesas do Castelinho: uma casa encantada, um tesouro e um guardião metade homem, metade lagarto.

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