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Lenda

O Homem-Lagarto

Nas Mesas do Castelinho, dizem, há um tesouro. E há um guardião. Esta é a lenda que se conta há gerações em Santa Clara-a-Nova e em Almodôvar, na versão registada pelo Município de Almodôvar. E é também a história de como uma lenda mudou, de verdade, o destino de um sítio arqueológico.

Ruínas escavadas das Mesas do Castelinho, o cenário da lenda do Homem-Lagarto

A casa encantada

A lenda, tal como se conta

Conta-se que, no Monte Novo do Castelinho, uma mulher idosa foi um dia convidada a entrar numa casa encantada. Lá dentro esperavam-na riquezas como nunca tinha visto.

A casa tinha um guardião: uma criatura metade homem, metade lagarto. E o convite tinha uma única condição: dentro daquela casa, a mulher nunca poderia invocar o nome de Deus.

Perante tanto espanto, a mulher fez o que o costume lhe pedia: o sinal da cruz. Nesse instante, tudo desapareceu. A casa, os tesouros e o próprio Homem-Lagarto sumiram-se, como se nunca tivessem existido.

Diz a tradição que o Homem-Lagarto ainda hoje ali está, a guardar o sítio e as suas riquezas, escondido de toda a gente. Até dos arqueólogos.

Quando a lenda fez história

O tesouro, a destruição de 1986 e a ciência

A lenda seria apenas uma bonita história de serão se não tivesse tido consequências bem reais.

Nos finais de 1986, parte dos vestígios arqueológicos das Mesas do Castelinho foi destruída com maquinaria pesada, sobretudo na plataforma superior e na encosta nascente. Segundo o Município de Almodôvar, os responsáveis eram caçadores de tesouros: procuravam as riquezas do Homem-Lagarto.

O tesouro não apareceu. Mas a destruição alertou as autoridades e desencadeou escavações de emergência, seguidas, a partir de 1989, de campanhas científicas sistemáticas da Universidade de Lisboa que continuam até hoje. Sem querer, a lenda lançou a carreira científica de um dos sítios arqueológicos mais importantes do sul de Portugal.

E afinal o tesouro existia: são as ruínas, a estela com Escrita do Sudoeste e tudo o que ainda está por escavar. O Homem-Lagarto, esse, continua por encontrar.

Versão da lenda registada pelo Município de Almodôvar (cm-almodovar.pt).

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