História
O território onde hoje se ergue Santa Clara-a-Nova é ocupado há cerca de 5000 anos. Das antas pré-históricas ao povoado amuralhado das Mesas do Castelinho, do foral medieval de Almodôvar aos sapateiros do século XX, esta página percorre essa longa história.

Cronologia
| Pré-história | Antas (dólmenes) registadas nas freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires |
| Finais do séc. V a.C. | Fundação do povoado amuralhado das Mesas do Castelinho |
| Inícios do séc. II d.C. | Abandono das Mesas do Castelinho, fora da nova rede viária romana |
| Séc. IX a XI/XII | Fortificação omíada nas Mesas do Castelinho, origem do nome "Castelinho" |
| 17 de abril de 1285 | D. Dinis concede foral a Almodôvar |
| 1297 | Almodôvar é doada à Ordem de Santiago |
| Séculos XVI a XIX | Economia rural: agricultura, pecuária, cortiça |
| Século XX | Emigração e declínio populacional; Sindicato Nacional de Sapateiros fundado em Almodôvar (1942) |
| 2013 / 2025 | União de freguesias com Gomes Aires; freguesia restaurada pela Lei 25-A/2025 |
História
Pré-história e megalitismo
O território de Almodôvar conserva vestígios de ocupação humana com cerca de 5000 anos. Desse tempo profundo restam monumentos megalíticos: antas (dólmenes) registadas nas freguesias de Santa Clara-a-Nova e de Gomes Aires, testemunho de comunidades organizadas que já enterravam os seus mortos nestas terras muito antes de qualquer povoado conhecido.
Mesas do Castelinho: da Idade do Ferro a Roma
A cerca de 2 km da aldeia, o povoado das Mesas do Castelinho foi fundado nos finais do século V a.C., em plena Idade do Ferro, como um povoado amuralhado implantado numa rota natural de pessoas e mercadorias, entre a planície e a serra.
O sítio manteve-se ocupado de forma contínua até aos inícios do século II d.C. Quando os romanos traçaram a nova rede viária da região, deixaram o povoado de fora, e este acabou abandonado. Os arqueólogos Amílcar Guerra e Carlos Fabião descrevem-no como um exemplo de "urbanismo falhado" no sul da Lusitânia: um plano urbano cuidadoso que nunca chegou a ser uma verdadeira cidade romana.
Período islâmico
Depois de cerca de 700 anos de abandono, o topo das Mesas voltou a ser ocupado: uma fortificação rural omíada existiu no sítio entre o século IX e os séculos XI a XII. É desse castelejo que vem o nome "Castelinho". A presença islâmica ficou também gravada na toponímia da região, a começar pelo próprio nome de Almodôvar.
Idade Média: foral e Ordem de Santiago
O nome Almodôvar vem do árabe al-Mudawwar, "o redondo". Após a integração do território no Reino de Portugal, D. Dinis concedeu foral a Almodôvar em 17 de abril de 1285, elevando a póvoa a concelho. Em 1297, o território foi doado à Ordem de Santiago, que no final do século XIII controlava praticamente todo o Baixo Alentejo.
Época moderna: campos, cortiça e sapateiros
Durante séculos, a vida da freguesia fez-se do campo: cereais de sequeiro, pecuária e a exploração da cortiça do montado de sobro. A região teve também uma forte tradição de ofícios, com destaque para os sapateiros: há cerca de 50 anos contavam-se perto de 60 na região, e foi em Almodôvar que se fundou, em 1942, o primeiro Sindicato Nacional de Sapateiros.
O século XX trouxe a emigração, para as cidades e para o estrangeiro, e com ela um declínio populacional que ainda marca a freguesia. Já no século XXI, a aldeia ganhou um novo motivo de orgulho: o Museu Arqueológico e Etnográfico Manuel Vicente Guerreiro, inaugurado em 2015, que guarda parte do espólio das Mesas do Castelinho e memórias da vida rural.
História administrativa recente
Em 2013, a reforma administrativa nacional agregou Santa Clara-a-Nova a Gomes Aires numa união de freguesias. A Lei n.º 25-A/2025, de 13 de março, repôs as duas freguesias separadas, com efeitos a partir da instalação dos órgãos eleitos nas autárquicas de outubro de 2025. Santa Clara-a-Nova voltou assim a ser uma freguesia com identidade administrativa própria.
Mesas do Castelinho
O capítulo mais notável desta história merece uma página inteira: a fundação, as muralhas, a lenda do Homem-Lagarto, a destruição de 1986 e mais de três décadas de escavações.
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